Debriefing COP26: alianças para implementar os acordos firmados

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“Para o Brasil não há escolha de não haver um mercado regulado de carbono.” A afirmação de Marcelo Ramos (PL-AM), Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, deu a tônica do Debriefing COP26 ,evento on-line realizado pelo Conselho Empresarial Brasileiro de Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) para avaliar os avanços obtidos durante a COP26 e a atuação do setor privado.

No encontro, além do deputado, compareceram a presidente do CEBDS, Marina Grossi; a Head de Sustentabilidade Global da Natura, Denise Hills; Ana Toni, diretora do Instituto Clima e Sociedade (ICS); Liège Correia, diretora de Sustentabilidade da JBS; e a gerente Técnica de Clima e Finanças do CEBDS, Natália Renteria. No entender de Grossi, porta-voz do CEBDS, este é o momento de “assentar, analisar e internalizar o que aconteceu, porque Glasgow começa a partir de agora”.

Aposta na economia verde

Para Marcelo Ramos, a maioria dos agentes econômicos no Brasil está engajada com a pauta e também compreende a importância do mercado de carbono. “Um país com 15 milhões de desempregados e 20 milhões de cidadãos passando fome não pode abrir mão de uma economia verde”, justificou o membro da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Segundo ele, o potencial líquido de ganho para o Brasil é de até US$ 70 bilhões em créditos de carbono.

“Vimos que o peso pesado do PIB brasileiro está nessa luta e entende a oportunidade do clima”, corroborou a presidente do CEBDS, Marina Grossi , ao destacar as coalizões organizadas pelo setor privado, como a iniciativa “Empresários pelo Clima”, cujo Conselho de Líderes estuda as oportunidades socioeconômicas para o Brasil dentro da questão climática.

Nessa perspectiva, o CEBDS alinhavou uma aliança com 14 entidades e obteve o apoio de 119 CEOs. “Fizemos uma série de movimentos nessa direção e ainda conseguimos influenciar o governo a reduzir seu horizonte de neutralidade climática em 10 anos, de 2060 para 2050” – lembrou Grossi. Segundo ela, o Brasil não pode emitir um crédito de carbono qualquer. “Temos que juntar valor agregado de biodiversidade e questões sociais também”, afirmou.

Na avaliação da Head de Sustentabilidade Global da Natura, Denise Hills, , os créditos de carbono passariam a ter, com esse modelo, um alto preço para uma alta demanda, injetando mais recursos no país e permitindo o desenvolvimento da bioeconomia. “Esses créditos têm de pagar pelos demais serviços ambientais. Só assim será possível aliar as soluções baseadas na natureza com processos de inovação”, afirmou.

A representante da Natura explicou ainda que trazer o tema da biodiversidade para o debate colocou o assunto sobre a crise climática em outro patamar. “O Acordo de Florestas e seu compromisso com a redução do desmatamento ilegal ressaltou a importância de manter as florestas tropicais em pé, tanto para a captação de gases de efeito estufa como para a preservação da biodiversidade”, disse. Denise Hills argumentou também que a restauração e a regeneração de áreas degradadas – desde que não sejam introduzidas espécies exóticas ou invasoras – é uma excelente oportunidade de negócio.

Outro avanço mencionado, dessa vez por Liège Correia, diretora de Sustentabilidade da JBS foi o acordo para a redução da emissão de gás metano. “O Brasil se comprometeu com a redução em cerca de 30%, o que, para nós que possuímos um dos maiores rebanhos bovinos do planeta, trata-se de uma meta que abraçamos há algum tempo e ficamos felizes pela proporção que o tema tomou”, declarou a executiva. O Brasil é o quinto maior emissor de metano do mundo.

Por fim, Ana Toni, diretora do Instituto Clima e Sociedade (ICS), salientou a relevância da sociedade civil em todas as medidas que vierem a ser adotadas. “Vimos uma maciça participação da sociedade sob a forma de protestos. Essa discussão e seus respectivos resultados só trarão benefícios se costurarmos alianças entre o setor empresarial, a ciência e a sociedade civil”, finalizou.

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