Promessas de emissão assumidas na Cop26 podem reduzir o aquecimento global para menos de 2°C

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Se os planos da Índia – o terceiro maior emissor mundial de CO2 – de zerar suas emissões líquidas e os de outros países, anunciados na Cúpula do Clima (COP26), forem cumpridos, a temperatura mundial provavelmente subirá cerca de 1,9°C. Ou seja, um patamar inferior ao limite de 2°C, mas ainda acima do limite desejado de 1,5°Cestabelecido pelo Acordo de Paris. A conclusão é da Universidade de Melbourne, segundo a qual as promessas combinadas e as trajetórias de emissões prováveis ​​de mais de 190 países deram mais de 50% de chance de limitar o aquecimento global a menos de 2°C, segundo publicou o jornal inglês The Guardian.

O autor da pesquisa, Malte Meinshausen, professor associado em Ciência do Clima em Melbourne e principal autor do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), afirmou que a mudança “importante” no aquecimento global projetado foi amplamente desencadeada por melhorias recentes nas metas de emissão da Índia e da China para 2030, bem como o compromisso da Índia com Net Zero até 2070. Contudo, para alcançar este patamar menor seria necessário que os países mapeassem caminhos confiáveis ​​para atingir o Net Zero, além de as nações em desenvolvimento receberem financiamento climático para alcançar a neutralidade de carbono.

Ed Miliband, secretário de negócios do Partido Trabalhista e veterano da COP Copenhague em 2009, alertou que muito mais precisa ser feito: “Qualquer progresso é bem-vindo, mas precisamos de extrema cautela ao declarar o sucesso com base em metas zero líquidas vagas e muitas vezes vazias daqui a três ou mais décadas. Por exemplo, a Austrália tem uma meta de zero líquido para 2050, mas seus planos para 2030 estão alinhados aos quatro graus de aquecimento. Há uma razão para o foco em reduzir as emissões pela metade nesta década decisiva. Ele reflete a urgência, a clareza e a especificidade de que precisamos para manter o 1,5°C vivo. Não podemos permitir que os líderes políticos mudem as metas”.

Alok Sharma, o presidente da COP26, disse que os novos compromissos representavam um progresso importante, mas que era preciso ter feito mais nesta edição da COP para alcançar a meta de 1,5°C. Patricia Espinosa, chefe de Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), por sua vez, declarou que é preciso trabalhar para resolver essa lacuna. “Esse foi o maior desafio desta conferência. Mas não ouvi ninguém dizer que não quer ir para 1,5°C”, acrescentou.

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