Solução para a mudança climática pode estar na natureza e na ciência

5

No painel ”Neutralidade Climática no Brasil: fim do desmatamento na Amazônia e a ação do setor empresarial”, realizado pelo Conselho Empresarial Brasileior para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) durante a COP, especialistas alertaram que a preservação da Amazônia é fundamental para o cumprimento das metas do Acordo de Paris. Questões como a vulnerabilidade das comunidades ao redor da Amazônia, agronegócios, código florestal brasileiro, manutenção dos biomas no Brasil, e produção e segurança alimentar também foram tratadas no encontro, que reuniu empresários de diversos segmentos, numa mostra de que somente a coalizão de diferentes setores solucionará a crise climática.

“O que muitos cientistas afirmam, no que diz respeito à Amazônia, é que sem ela em pé há pouquíssimas chances de alcançarmos as metas do Acordo de Paris até o fim do século”, declarou André Guimarães, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Para Marina Grossi, presidente do CEBDS, a COP26 trouxe muitos resultados que ela não tinha visto em nenhuma outra edição da COP. “Os temas mudança climática e biodiversidade vieram entrelaçados e isso é muito benéfico para o Brasil, que possui a maior biodiversidade do mundo”, disse.

“A Amazônia é uma peça-chave no enfrentamento da crise climática e sua manutenção, além de parar o desmatamento, também é importante para os ciclos de chuva e estabilidade do fluxo de água, que são elementos essenciais para o agronegócio”, afirmou Guimarães.

Papel do agronegócio
O agronegócio é responsável por 30% da economia brasileira e 20% dos empregos diretos, de acordo o diretor da Associação Brasileira do Agronegócio, Marcelo Britto. “Nenhuma empresa pode permitir nem mesmo o desmatamento legal, porque vai haver alterações que não desejamos. É preciso reduzir a área legal de produção e investir em tecnologia para aprimorar a agricultura e recuperar a área que já foi explorada”, afirmou.

Em seu último relatório, o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) uma iniciativa do Observatório do Clima que compreende a produção de estimativas anuais das emissões de gases de efeito estufa (GEE) no Brasil, mostrou que 73% das emissões de carbono são resultantes das atividades agropecuária.

Com base nesse dado, o governador do Pará, Helder Barbalho disse que mesmo com uma extensa área para o desmatamento ilegal, cerca de 11 milhões de hectares, é preciso que o setor financeiro repasse investimentos os pequenos fazendeiros, de modo que eles tanto trabalhem na preservação de suas áreas quanto na melhora da produtividade.

“O código florestal brasileiro é bem rigoroso e define que os proprietários privados preservem a vegetação nativa nos arredores. Para evitar desmatamento ilegal e aumentar o nível de emissões, o melhor que podemos fazer é entregar a eles tecnologia e meios para aprimorarem a produção”, concluiu.

Compromissos para renovar a vida
Já no setor de papel e celulose, a Suzano, que é a maior produtora do mundo, tem políticas de trabalho integral para contribuir com a redução de emissões e preservação da vegetação nativa.

“Temos cerca de 1,5 milhões de áreas protegidas e conservadas. E lançamos um programa, Compromissos para renovar a vida, que tem o objetivo conectar meio milhão de hectares de áreas prioritárias para a preservação dos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, onde temos operações”, declarou Sarita Severien, Líder de Mudança Climática da companhia.

Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Receba nossa Newsletters