Novo ‘business as usual’ é a economia de baixo carbono

Viveiro de mudas de Mucuri.

O século XXI poderá sofrer com a elevação da temperatura acima de 2°C e levar o planeta a um cenário caótico, com chances de recuperação quase nula. Essa foi a conclusão dos painelistas do evento organizado pelo Pacto Global Business Ambition for Climate Action, cujo objetivo era reconhecer as ações que as empresas brasileiras estão realizando para abordar a urgência climática na ambição necessária.

Nomes bastante conhecidos no combate à crise climática, como Denise Hills, Diretora Global de Sustentabilidade da Natura &Co, e Cristiano Teixeira, CEO da Klabin, falaram sobre os desafios das companhias ao compor ações para cumprir as metas de emissão zero de acordo com o atual cenário político do Brasil.

“Temos que estar alinhados com a NDC brasileira, sem dúvidas, mas cabe a nós também tomar atitudes que nos levem às emissões zero antes de 2050, pois a elevação da temperatura até 1,5 °C é essencial para a continuidade dos negócios”, afirmou Denise.

O engajamento em cadeia e o trabalho em parceria também foram questões abordadas pelo moderador do painel, Carlo Pereira, Diretor Executivo do Pacto Global Brasil. Segundo Pereira, as soluções que levarão à economia de baixo carbono não podem ser tomadas individualmente. A afirmação é apoiada por Denise, que aponta a região da Amazônia como estratégica para a geração de créditos de carbono e propõe integrar a atuação da companhia com incentivos, inclusive financeiros, às comunidades que habitam a área e preservam o local.

Mudanças de hábitos
Guilherme Weege, embaixador do ODS 13 (Objetivo do Desenvolvimento Sustentável que trata da ação contra a mudança global do clima), se posicionou claramente sobre a questão das mudanças de hábitos, como pessoa física, e das novas práticas das empresas. “É preciso lidar com as emissões de toda a cadeia de valor, de ponta a ponta, não só com as operações, pois comprar créditos de carbono e compensar as emissões só irá postergar o problema”, disse.

O CEO da Scania Latin America, Christopher Podgorski, compartilha desse mesmo pensamento e reconhece o problema causado pelo uso de combustíveis fósseis em veículos para rodovia. “É preciso monitorar toda a cadeia, fazer manutenção dos veículos, e ser parte da solução, quando, verdade seja dita, eles são responsáveis por 14% das emissões”, comentou. “Não podemos depender mais somente do combustível fóssil, precisamos de um futuro mais eclético e não mais elétrico”, concluiu.

Weege ainda afirmou a necessidade de agir agora, de recuperar terras degeneradas e aumentar a qualidade de produção para que o Brasil se destaque como uma potência na economia mais verde. “Não é uma questão apenas de dinheiro para mudar essa realidade. É preciso mudar os hábitos, as práticas, para criar uma nova realidade e alcançar o futuro que o Christopher trouxe à discussão”, finalizou.

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