Proposta para o desenvolvimento do território amazônico

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Conhecida como Uma Concertação pela Amazônia, a rede formada por mais de 400 pessoas e instituições em busca de soluções para conservação e desenvolvimento do território amazônico, lançou Uma Agenda pelo Desenvolvimento da Amazônia, que traz a sistematização e formalização de propostas concretas para a preservação e o fortalecimento econômico da região.

Entre as principais frentes de atuação que o documento propõe estão: a articulação entre recursos públicos e privados; a valorização das experiências e saberes a partir de uma abordagem sustentada no tripé técnico-científico, sensível e cultural; a cooperação local-global; e o reconhecimento da pluralidade e da diversidade amazônica.

Segundo Roberto Waack, Presidente do Conselho do Instituto Arapyaú, o estudo considera a divisão da Amazônia em quatro áreas formadas por floresta conservada, áreas de transição, áreas convertidas e cidades. Em todas elas, o conhecimento dos povos indígenas teve papel central no desenvolvimento de ações específicas, estruturantes e transversais apontadas no documento. “A regularização fundiária e o ordenamento territorial é um problema crítico a ser enfrentado e deve ser tratado de forma diferente da cartorial”, afirmou Roberto.

Protagonismo indígena

A comunicadora indígena e ativista da Associação de Mulheres Indígenas Sateré-Mawé (AMISM), Samela Sateré, reivindicou o protagonismo dos mais de 300 povos indígenas do Brasil nos debates e discussões sobre as mudanças do clima. Para eles, trata-se da mudança do tempo: “Nós dependemos do bioma, nós não sabemos mais quando começa a piracema, que é a época da desova do peixe, e nós dependemos desse tempo pra começar a pescar ou não. Só que os tempos mudaram em consequência das ações de outras pessoas, e a gente vive sofrendo em consequência das ações de outras pessoas. Isso não é justo”, protestou.

A ex-ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, que também participou da elaboração do documento, falou das mudanças no modelo de cooperação internacional, das novas estruturas de engajamento e do conceito de responsabilidade compartilhada que deve levar o Brasil a reduzir as emissões, se não para o mundo, para os brasileiros.

“Vai sair uma decisão daqui que tem dois significados, politicamente falando. [O Acordo de] Paris está de pé e nós estamos atrasados nas soluções do clima, nós teremos que agir”, disse Isabella.

Crimes ambientais

Presente no documento, a conexão entre clima e segurança fez parte da fala da Presidente do Instituto Igarapé, Ilona Szabó, que destacou a necessidade de não se tratar a violência e a criminalidade como impactos secundários. Segundo ela, precisamos conhecer a escala e o escopo dos crimes ambientais através de dados, fortalecer as agências ambientais e os agentes de segurança, além de adotar critérios de rastreabilidade de produtos e insumos com o apoio do setor privado.

Ana Toni, Diretora Executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS), fechou a roda de conversa falando sobre a relevância das próximas eleições para a agenda ambiental, a necessidade de uma bancada em defesa da Amazônia e a demora dos brasileiros em olhar para a Amazônia como prioridade.

“A gente não tem um partido, a gente tem uma causa e a causa são os povos tradicionais, os quilombolas, os indígenas e a floresta em pé. A gente tem que levar essa causa pro centro do debate”, concluiu Ana.

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