Novas metas climáticas reforçam relevância do setor florestal

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Ao anunciar a antecipação em 10 anos do compromisso com a neutralidade das emissões de carbono, o Brasil assumiu um desafio ainda maior para o cumprimento das metas estabelecidas no âmbito do Acordo de Paris, contidas na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). De acordo com a nova versão do documento, o chamado net zero deverá agora ser alcançado em 2050, e não mais em 2060.

Segundo o Diretor de Regularização Ambiental no Serviço Florestal Brasileiro do Ministério da Agricultura, João Adrien, a nova meta representa uma oportunidade de maior parceria entre o setor público e o setor privado, mais especificamente o segmento de base florestal. Emevento realizado no Pavilhão Brasil durante a COP26, Adrien afirmou que o Brasil tem atualmente 16 milhões de hectares de áreas em recuperação florestal, ou seja, um resultado acima da meta de 12 milhões apresentada na versão anterior da NDC.

Para o cumprimento dos novos compromissos, de acordo com Adrian, o país planeja recuperar 18 milhões de hectares com a restauração de florestas para diversos usos.

“Isso demonstra que o Brasil conseguiu avançar na agenda da recuperação florestal para diversos usos, seja de florestas plantadas para fins econômicos, mas também para fins de recuperação e adequação ambiental”, disse o diretor. “O Brasil tem um grande desafio à sua frente, mas um grande potencial de unir esforços e fomentar a economia de base florestal, que, além de toda uma discussão de economia de base circular, é também uma solução importante para o cumprimento das nossas NDCs. A união entre [entes] privados e governo é fundamental para o objetivo [de neutralidade de emissões]”, completou.

Mercado de carbono

O CEO da Suzano, Walter Schalka, avalia que a esperada definição de regras para o mercado de carbono, ao fim da COP26, é essencial para o processo de descarbonização global pelo setor florestal. Schalka considera que o consenso em torno da regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, que trata do tema, seria uma demonstração de êxito do encontro.

Para ele, o mercado regulado de carbono poderia propiciar o maior investimento histórico em regeneração de áreas no mundo, ao fomentar o investimento privado.

“Se nós não tivermos um mercado regulado de carbono, nós não vamos ter os recursos suficientes para poder fazer isso. Por isso, eu defendo um modelo que seja de cap and trade, no qual as empresas tenham um limite de emissão e, se ficarem abaixo daquele limite, podem vender carbono; se ficar acima, têm que comprar carbono”, defendeu Schalka.

Durante o evento, o executivo citou o preço de US$ 12 por tonelada de carbono como suficiente para destravar investimentos importantes no setor de reflorestamento.

Também presente no encontro, o CEO da Klabin, Cristiano Teixeira, afirmou que o setor de papel e celulose pode oferecer parte da solução para a redução de emissões de gases do efeito estufa, principalmente com a absorção de carbono.

“O nosso setor hoje é vanguarda, seja no estoque, na mitigação, seja na adaptação dos nossos parceiros locais. Temos um papel direto. Estou bastante motivado pela força que o nosso setor florestal pode oferecer como contribuição para a solução do problema”, concluiu Teixeira.

 

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