Análise: O que esperar da COP26?

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De 31 de outubro a 12 de novembro, a 26a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) será realizada sob forte expectativa de que os países signatários do Acordo de Paris, de 2015, revejam suas metas de redução de emissão de gases de efeito estufa.

O objetivo é manter o aumento médio da temperatura global em torno de 1,5 ºC em relação aos níveis pré-industriais, o que evitaria a concretização do pior cenário previsto no último relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima (IPCC).

Uma das conclusões do documento é que as mudanças climáticas estão acontecendo de forma mais rápida e intensa. Mantido o atual ritmo de emissões, o aumento de 1,5°C será alcançado em um prazo ainda mais curto do que o previsto na versão anterior do relatório do IPCC.

Com isso, o resultado pode ser uma elevação de cerca de 2,7 °C na temperatura média global no fim do século, com graves impactos sociais e ambientais causados por fenômenos extremos, como escassez de alimentos, elevação nos níveis dos oceanos e mudanças nos regimes de chuva. Intensificar a redução de emissões no curto prazo, portanto, significaria, ao menos, postergar esse cenário.

As negociações na COP26 buscam consenso em torno de temas cruciais na superação desse desafio.

Conheça quatro objetivos na pauta da COP26.

  • Busca de metas mais ambiciosas – As Contribuições Nacionalmente Determinadas, as chamadas NDCs, são instrumentos nos quais os países signatários do Acordo de Paris apresentaram suas metas de redução de gases de efeito estufa. Na COP21 foi acordado que elas deveriam ser revistas a cada 5 anos, e diversos setores, sobretudo o empresarial, têm dado declarações sobre a adoção urgente de metas mais rígidas no curto prazo a fim de conter a elevação da temperatura.

  • Manter o 1,5 °C vivo – A frase tem aparecido com certa frequência nas declarações de Alok Sharma, presidente da COP. A ideia é que a meta não seja esquecida, pois o aumento excessivo da temperatura média global pode resultar em diversos impactos, tais como comprometimento de atividades econômicas causado por eventos climáticos extremos, migração em massa, perda de biodiversidade e aumento de gastos e afins.

  • Regulamentar o Artigo 6 – O trecho do Acordo de Paris trata do mercado regulado de carbono global, mecanismo com potencial de mudar a maneira como as empresas produzem. Por meio de transações entre países, o sistema pode dar escala a iniciativas que resultem em uma transição para uma economia de baixo carbono.

  • Financiamento para países em desenvolvimento – Na COP15, em 2009, os países desenvolvidos se comprometeram a destinar um total de US$ 100 bilhões ao ano para financiar projetos de adaptação climática em países pobres. Porém, o valor estacionou em US$ 70 bilhões e, até o momento, não existe uma definição sobre como esses fundos serão concretizados a longo prazo.

Fonte: UN Climate Change Conference UK 2021.

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