Mercados voluntários deverão movimentar US$ 1 bi

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Até agosto deste ano, os mercados voluntários de carbono movimentaram US$ 748,2 milhões em vendas de créditos em todo o mundo. O volume representa um aumento de 60% em relação a todo o ano de 2020. Mantido o ritmo, o total de transações deverá alcançar o patamar de US$ 1 bilhão até o final do ano.

Os dados fazem parte de levantamento realizado pela Ecosystem Marketplace, iniciativa da organização Forest Trends, especializada na compilação de informações sobre negociações de carbono em todo o mundo. O trabalho atribui o crescimento ao movimento crescente de comprometimento de empresas com metas voluntárias de neutralidade de carbono.

Mercado voluntário é o comércio de emissões entre empresas e indivíduos sem obrigações regulatórias, e sim para atendimento a metas voluntárias corporativas ou individuais. A diferença em relação à proposta do mercado mercado regulado é o fato de não estar vinculada às metas assumidas pelos países signatários do Acordo de Paris.

Lançada em 2020, a campanha global Race To Zero, apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU), já mobiliza 120 países, 3.067 empresas e 173 investidores comprometidos em alcançar emissões líquidas zero até 2050. Isso corresponde a uma redução de 25% das emissões globais de CO2 e a mais de 50% do PIB global. O desafio vai além do compromisso com a neutralidade, e inclui metas de eliminação das emissões geradas em toda cadeia produtiva.

Metas voluntárias de descarbonização

O objetivo da Race do Zero é criar impulso em torno da mudança para economia descarbonizada, o que vem sendo observado pelos números do levantamento. O conceito net zero representa o compromisso com emissões líquidas neutras. Isso significa que as empresas devem reduzir ao máximo as emissões e, aquilo que não for possível em virtude do perfil da atividade, será removido por outros meios, como plantio de florestas.

De acordo com os critérios de adesão à campanha organizada pela ONU, o chefe de cada organização deve estabelecer uma meta que reflita o esforço máximo em direção à redução global de 50% em CO2 até 2030. Além disso, precisa elaborar plano de ação para alcançar metas intermediárias e de longo prazo, tomar medidas imediatas para atingir emissões líquidas zero e relatar publicamente o progresso em relação às metas intermediárias e de longo prazo.

Esforços para o net zero

O Reino Unido foi a primeira grande economia do mundo a aprovar leis que levam à redução de emissões a nível zero, e que obrigam as empresas que assumem esse compromisso a divulgarem como estão fazendo para alcançar o net zero. Alemanha e França foram na mesma direção.

O governo dos EUA, apesar de não apoiado por legislação, já assumiu compromissos públicos de redução igual ao dos europeus. Já a China, que tem o carvão como sua principal matriz energética, optou apenas pela neutralidade de carbono até 2060.

Segundo especialistas, o Brasil dispõe de vantagens para alcançar essa meta, entre elas a matriz energética predominantemente formada por fontes limpas. O ponto fraco são as queimadas na Amazônia, responsáveis por 70% de suas emissões. “Quem diz que está fazendo net zero precisa fazer além das NDC’s”, disse Ronaldo Seroa Motta, professor de Economia Ambiental da UERJ, durante webinar realizado pelo Observatório Interdisciplinar das Mudanças Climáticas.

Os compromissos assumidos nos últimos anos relacionados às mudanças climáticas diferem em prazos e tipos de emissões e de compensações. No entanto, mais importante do que o percurso que cada um irá fazer é traduzir os compromissos para ações efetivas e imediatas.

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