Mercado de carbono pode render US$ 100 bilhões ao Brasil

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Relatório da Câmara do Comércio Internacional (ICC Brasil), lançado no fim de setembro, revelou o potencial que o Brasil tem para gerar US$ 100 bilhões em receitas com a comercialização de crédito de carbono até 2030. Deste total, mais de 60% poderão vir do setor de florestas, que conta com potencial maior de redução das emissões, custo menor e facilidade na implementação do manejo florestal sustentável e do reflorestamento, soluções baseadas na natureza.

Na próxima década, o Brasil tem potencial para suprir de 5% a 37% da demanda global no mercado voluntário e de 2% a 22% da demanda global do mercado regulado de carbono, a ser criado no âmbito do Acordo de Paris. A avaliação inclui ainda a agricultura, por apresentar condições favoráveis em relações de custo-efetivo, e o setor de energia, por conter inovações tecnológicas a serem exploradas.

As projeções que apontam para uma receita de US$ 100 bilhões consideram um cenário otimista, no qual o Brasil aparece com participação de 10% no mercado global de crédito de carbono, com preço da tonelada de CO2 equivalente a US$ 100.

Diferenciais do setor florestal

O estudo contou com a parceria da WayCarbon, consultoria referência em gestão de ativos ambientais, e apoio da Suzano e de outras grandes empresas envolvidas com a economia de baixo carbono.

O histórico de sucesso na implementação e geração de créditos florestais, a capacidade técnica do setor privado e o histórico de participação do país no mercado voluntário serviram de base para o estudo.

“Nós olhamos para o número conservador e real dos créditos emitidos. Desta forma, a gente enxerga que esse número de hoje poderia ser maior, e que o número futuro também pode ser maior”, explicou Laura Albuquerque, gerente de finanças sustentáveis da WayCarbon, durante o 4º Encontro ‘O Brasil Quer Mais’, realizado no final de setembro.

O setor florestal se destaca com potencial de geração de crédito de até 660 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o que corresponde a mais de 60% do mercado projetado. Os dados levam em conta as estimativas de abatimento de emissões a partir do reflorestamento e do desmatamento evitado, do potencial de áreas de plantio florestais de entes privados, da capacidade de estocagem das áreas de conservação de vegetação nativa e sequestro de carbono nos manguezais.

“O mundo todo procura soluções de captura de carbono e soluções tecnológicas para comprimir o CO2. Nós temos uma solução muito simples e disponível que é a fotossíntese. Não tem mecanismo mais fácil e eficiente de retirar CO2 da atmosfera do que deixar uma floresta crescer”, disse Julio Natalense, gerente executivo de Iniciativas e Carbono da Suzano.

 

Benefícios socioeconômicos

Laura Albuquerque, da WayCarbon, deu ênfase para benefícios que vão além da redução de gases de efeito estufa, como desenvolvimento socioeconômico, geração de empregos e novos investimentos e benefícios socioambientais.

“Todo crédito de carbono que pode ser vendido pelo Brasil no setor de floresta virá carregado de benefícios de preservação da biodiversidade, melhoria da qualidade e disponibilidade hídrica, preservação da floresta e manutenção dos ciclos hidrológicos” disse.

O relatório também apresenta as barreiras que o mercado de carbono impõe para alcançar as receitas apresentadas. Entre elas está a barreira mercadológica, representada pelo alto custo relacionado ao processo de certificação do crédito de carbono, e barreiras políticas, como os impasses na regulamentação.

Por fim, o estudo faz recomendações aos setores públicos e privados. Ao governo brasileiro é recomendada a defesa na COP26 da inclusão dos setores agropecuário, florestal e de energia nos tipos de projetos elegíveis no artigo 6, e estabelecimento de medidas institucionais que viabilizem a operação dos mercados, tais como a regulamentação do mercado brasileiro com a aprovação da PL 528/21.

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