Floresta em pé: um bom negócio para o Brasil

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Convidado do encontro com jornalistas promovido pela Suzano, nesta quinta-feira (21), André Guimarães, diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), afirmou que o papel do Brasil na agenda climática passa, inexoravelmente, pelo uso da terra. Nesse sentido, Guimarães destacou o potencial do país na geração de serviços ambientais a partir da floresta em pé.

Diante da necessidade de mudança para um modelo econômico sustentável, que exigirá grandes investimentos, a manutenção das florestas e o sequestro de carbono por meio da restauração e regeneração são apontadas por Guimarães como principais fontes de recursos para essa transição.

Ao fazer uma análise sobre a posição do Brasil no processo de desenvolvimento sustentável, o diretor executivo do IPAM destacou a potência agrícola que o país se tornou e o respeito mundial que conquistou pelo papel que exerce na segurança alimentar. O investimento em tecnologia, os incentivos fiscais e as políticas públicas foram atributos apresentados como responsáveis pelo desenvolvimento agrícola e que elevaram o país ao patamar de maior produtor e exportador de commodities do mundo, mas que também geraram grandes impactos.

“Esse grande desenvolvimento da agricultura consumiu metade do cerrado e 20% da Amazônia. Esse foi o preço ambiental que nós estamos pagando ainda”, afirmou.

André apresentou os motivos para a mudança de rota e entrada do Brasil no que chamou de “nova realidade global”, ao se referir aos compromissos do mundo com o combate às mudanças climáticas. Segundo ele, três quartos das emissões brasileiras estão ligadas ao uso da terra e, desse total, aproximadamente 60% são oriundos do desmatamento, o que exige uma nova maneira de se relacionar com esses ativos ambientais.

“Um hectare na Amazônia tem 400 toneladas de CO2 equivalente, que é a unidade transacionada dos mercados de carbono. A US$ 10 a tonelada, estamos falando em US$ 4 mil. Quais são as atividades de uso da terra que geram US$ 4 mil em um hectare? A pecuária gera US$ 100, na melhor das hipóteses” observa.

Benefícios para o país

O diretor executivo do IPAM acredita que o país tem tudo para se beneficiar se assumir uma postura agressiva e ambiciosa no combate às mudanças climáticas e, especificamente, no combate ao desmatamento, sua principal fonte de emissões. Apesar de o governo brasileiro caminhar na contramão, afirma, a força do estado no enfrentamento do desmatamento ilegal é essencial nesse processo.

Ao lembrar que entre 2002 e 2012 o Brasil reduziu em 80% o desmatamento na Amazônia, Guimarães falou que, além de combater a ilegalidade, a preservação das florestas contribui para a manutenção dos ciclos de chuva.

“Fundamentalmente vamos preservar nossa capacidade de ciclagem de água. 90% da nossa agricultura não é irrigada, ela depende do ciclo da chuva” disse.

O diretor executivo do IPAM lembrou que a manutenção das florestas garantem ciclos alongados de chuvas, característicos do Brasil, e, consequentemente, proporciona três safras de grãos ao ano.

Segundo André, todos os benefícios da preservação para o Brasil constam no relatório produzido pela Coalizão Brasil Clima, Floresta e Agricultura, grupo formado por associações empresariais, empresas, organizações da sociedade civil e indivíduos interessados em contribuir para a promoção de uma nova economia de baixo carbono. No documento, direcionado aos negociadores brasileiros que vão à COP26, o grupo afirma:

“Aumentar a ambição é um bom negócio para o Brasil, acabar com o desmatamento mais rápido é um bom negócio para o Brasil. Eliminar a ilegalidade é um bom negócio para o Brasil. A gente preserva a floresta, contribui para o para o clima, melhora a reputação, harmoniza os ciclos hídricos e se recoloca nessa agenda”.
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