Fé e Ciência em favor do Clima

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O encontro “Fé e Ciência: rumo a COP 26″, realizado no início de outubro, no Vaticano, reuniu o Papa Francisco e outros 22 líderes religiosos e cientistas com objetivo de assinar o apelo conjunto por ação rápida, responsável e compartilhada de combate à crise do clima, dirigido às autoridades que participarão da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow.

O evento contou com a participação dos representantes das principais crenças e denominações religiosas de todas as partes do mundo, entre elas cristãos anglicanos e ortodoxos, budista, hinduístas, judeus, muçulmanos, sikhs e taoístas.

O documento entregue ao presidente da COP26, Alok Sharma, traz o apelo para adoção de uma economia que seja inclusiva e cuide do meio ambiente, contribuindo para a redução das emissões de carbono.

“O mundo é chamado a atingir as emissões líquidas zero de carbono o mais rápido possível, com os países mais ricos assumindo a liderança na redução de suas próprias emissões e no financiamento das reduções de emissões das nações mais pobres”, diz o documento.

Apelo por metas mais ambiciosas

Aos governos é feito um apelo para o aumento das ambições e a cooperação internacional, a fim de favorecer a transição para energia limpa. O documento também reivindica a adoção de práticas sustentáveis ​​de uso da terra, incluindo a prevenção do desmatamento, restauração de florestas e conservação da biodiversidade. Por fim, pede o fim da fome por meio de estilos de vida e padrões de consumo e produção sustentáveis.

“Reconhecer que o mundo está interligado significa não só perceber os efeitos nocivos das nossas ações, mas também identificar comportamentos e soluções a serem adotadas, numa atitude de abertura à interdependência e partilha . Não podemos agir sozinhos, pois cada um de nós é fundamentalmente responsável por cuidar dos outros e do meio ambiente”, disse o Papa Francisco.

Ao chamar o planeta de casa comum, onde todos somos zeladores, o documento faz referência à encíclica Laudato Si, escrita e lançada em 2015 pelo Papa. Sobre Cuidado da Casa Comum, foi a primeira encíclica papal da história dedicada à crise do clima. Nela, o Pontífice já havia feito o chamado a todos para ouvir os gritos da terra e dos pobres, iniciando o Movimento Católico Global pelo Clima (MCGC) e uma campanha mundial em defesa do clima para parar o aquecimento global.

Aliança entre ciência e religião

A aliança entre ciência e religião não é um fato recente. Nos anos de 1988, em Oxford, e 1990, em Moscou, líderes religiosos, cientistas e legisladores de todo o mundo se reuniram para debater a crise do clima no Fórum Global de Líderes Espirituais e Parlamentares. Na conferência da ONU, a Rio-92, a vigília “Um novo dia pra Terra” marcou um novo impulso desse movimento inter-religioso.

O Instituto de Estudos da Religião (ISER) estima que cerca de 85% da população mundial se identifica com algum tipo de religião ou espiritualidade. A partir da perspectiva da fé, segue crescendo o número de religiosos espalhados pelo mundo que abraçam a causa ambiental e que exercem forte influência no encorajamento à preservação e convergência entre ética religiosa e ética ambiental.

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