Cebds lança materiais de apoio para empresas

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O Conselho Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) realizou nesta quarta-feira (20), um evento online pré-COP26, com o objetivo de apresentar a estratégia do CEBDS e do setor empresarial para a caminhada até Glasgow, que inclui o lançamento do Guia do CEO para a COP26, do Estudo de Neutralidade Climática e do Sumário Executivo de TCFD.

Marina Grossi, presidente do CEBDS, frisou que essa COP é uma das mais importantes que já aconteceram até hoje. A organização lançou, ainda, uma página em seu site para a divulgação de conteúdos sobre a COP26.

“Estou desde 97 acompanhando as conferências do clima e nunca uma COP teve tanta importância quanto essa, fundamentalmente para o Brasil e em específico ao setor privado. Isso porque estamos na época da ação e implementação de medidas para redução de emissões de carbono e quem implementa são as empresas”, disse.

Segundo a presidente do CEBDS, o papel do Brasil é fundamental na mudança para essa nova economia.

“Reunimos a assinatura de 115 empresários que defendem o net zero (neutralidade zero), até 2050, e apresentamos ao Governo Federal, pela figura do Ministro da Economia, Paulo Guedes”, disse. “Estamos passando por um momento de transição e de planejamento para pensar negócios à frente, levando em conta o artigo 6º do Acordo de Paris, que permite que tenhamos mercado de carbono, avaliando o que as empresas já vêm fazendo para terem neutralidade climática e pensando soluções baseadas na natureza e no TCFD (análise de risco climático)”, concluiu.

Guia de CEOs sobre mudanças climáticas

O Guia de CEOs, lançado pelo CEBDS durante o evento e disponível para download, traz a história dos tratados de mudança climática, como surgiu a Convenção do Clima, detalhes do Protocolo de Kyoto e Acordo de Paris, linha do tempo com principais eventos, como funciona a COP e a dinâmica de negociações, os blocos políticos dos quais o Brasil faz parte e os principais temas das negociações: MDCs (meta climática de cada país), Artigo 6, Financiamento climático e Florestas (Artigo 5 do Acordo de Paris).

“Os países revisaram suas metas em 2020 e será a primeira COP em que serão discutidas as MDCs após a revisão. Do ponto de vista político é um momento muito importante globalmente, tendo em vista que as MDCs estabelecidas não são suficientes para barrar o aumento de temperatura em 1,5ºC até 2050. Se os países forem mais ambiciosos para revisar suas MDCs. isso pode influenciar também a revisão da meta do Brasil, o que impacta diretamente o setor privado e suas emissões”, afirmou Caroline Dihl Prolo, da Laclima, parceira do CEBDS na elaboração do Guia dos CEOs.

Como empresas atuantes e na vanguarda da neutralidade climática participaram da live o representante do Bradesco, Marcelo Sarno Pasquini, e da Suzano, Sarita Severien, companhia que já se considera net negative.

“Nossa área florestada remove muito mais dióxido de carbono do que emitimos em toda a nossa cadeia produtiva. Já assumimos que somos negative e queremos fazer mais e oferecer produtos para a sociedade que são renováveis e substituam produtos de energia fóssil, queremos ampliar a venda de energia elétrica renovável para o grid brasileiro e continuar trabalhando para reduzir nossas emissões”, afirmou.

Lançamentos durante a COP26

Lauro Marins, representante da empresa Resultante, apresentou o Sumário Executivo da Jornada TCFD, e Dulce Benke, representante da Proactiva, responsável pela elaboração do Estudo de Neutralidade Climática, fez algumas considerações. Ambos os documentos serão lançados durante a Conferência do Clima, em Glasgow.

“Nós estamos trazendo neste estudo um panorama geral de como as empresas vêm contribuindo para a neutralidade climática, histórico das negociações do clima, contexto global, como os países estão adotando e respondendo essas metas, iniciativas que estão sendo lançadas e estão engajando tanto governo,quanto setor empresarial, alavancado a agenda de neutralidade climática, análise da agenda brasileira, desde o seu primeiro compromisso e hoje quais são os desafios. Na segunda parte do material, olhamos para as empresas brasileiras e abordamos os desafios e oportunidades, além dos estudos de casos de companhias engajadas na agenda do net-zero”, disse Dulce Benke.

Natália Renteria, mediadora da live, reforçou que estamos vivendo um momento disruptivo da economia.

“As empresas já entenderam o momento que estamos passando e estão se organizando. Elas são motor dessa mudança. A partir do momento que o Acordo de Paris trouxe o setor privado para o centro da discussão, as mudanças começaram a ser mais rápidas. É um movimento contínuo e o momento atual, encabeçado pela COP26, é de nos estruturar melhor como país, como um mercado de carbono regulado e políticas públicas adequadas para apoiar essas mudanças que são tão necessárias”, finalizou.

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