Agenda climática é urgente para 85% dos brasileiros

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Comparado com Reino Unido, Suécia e China, o Brasil apresenta a maior proporção de pessoas que dizem já sentir os efeitos das mudanças climáticas e defendem ações urgentes. O dado faz parte do estudo “Public Perceptions of climate change and policy action in the UK, China, Sweden and Brazil”, apresentado nesta segunda-feira (1) na COP26 pelo Centre for Climate Change & Social Transformation (CAST).

De acordo com os dados levantados, 75% das pessoas no Brasil demonstram preocupação com as mudanças climáticas. Além disso, 82% reconhecem que, para superar as mudanças climáticas, é preciso mudar o modo como a sociedade opera.

Os países analisados no estudo apresentam diferenças em relação a essas ações. Enquanto 36% da população do Reino Unido aceita reduzir a quantidade de viagens aéreas para enfrentar o problema, o Brasil apresentou a menor taxa de pessoas dispostas a fazer o mesmo, com apenas 8%. Por outro lado, o país apresentou a maior proporção de pessoas que defendem meios alternativos de transporte, como caminhada, bicicleta e transporte público.

“Estamos vendo mudanças lentas, principalmente no Reino Unido, mas isso ainda não é algo reconhecível como estratégias mais efetivas a seguir”, disse a pesquisadora Katharine Steentjes, responsável pelo estudo, durante painel que tratou do papel das pessoas no desenvolvimento de ações climáticas.

 

Pessoas como agentes de mudanças

A organização Hot or Cool Institute apresentou no mesmo painel estudo que demonstra o papel das pessoas na agenda climática, em virtude do impacto de seus estilos de vida. Uma das conclusões foi de que em demonstra que a manutenção do aumento da temperatura média global em torno de 1,5ºC em relação aos níveis pré-industrias, conforme proposto no Acordo de Paris, depende de mudanças drásticas no estilo de vida da população mundial.

Intitulado 1.5 – Degree Lifestyles: Towards A Fair Consumtion Space for All, o trabalho avalia que o cumprimento da meta depende da redução das emissões anuais por habitante de 4,6 toneladas de CO2 equivalente (tCO2e), registradas em 2010, para 0,3 tCO2e em 2050. Para isso, até 2030, as emissões devem estar 45% menores.

As principais conclusões do estudo foram apresentadas na COP26, nesta segunda-feira (01), pelo diretor-gerente do Hot or Cool Institute, Lewis Akenji. Com base em dados de Canadá, Finlândia, Reino Unido, Japão, China, Turquia, África do Sul, Brasil, Índia e Indonésia, o relatório analisa setores de consumo de alto impacto.

No Canadá, que encabeça a lista de emissões per capita, o setor de transporte tem a maior parcela do total de 14,2 tCO2e. No Brasil, de um volume total de 3,2 tCO2e, o setor de alimentos é o maior foco de emissões. Segundo Akenji, o perfil das emissões é um indicador da desigualdade entre os países. Na Índia, o setor de transporte representa mais da metade das emissões per capita, em virtude do uso de motocicletas. Nos países ricos, o foco principal é o setor de aviação.

“Estamos falando de países como Indonésia, Índia e Brasil, que têm centenas de milhões de pessoas a sair da pobreza. No Reino Unido, por exemplo, a aviação representa 29% da demanda do transporte e uma pegada 44%. Essa é a disparidade”.

 

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