Suzano defende medidas imediatas para a neutralizar emissões

3

A Suzano, referência global na produção de bioprodutos desenvolvidos a partir do cultivo de eucalipto, anunciou nesta quinta-feira (21) a revisão de um de seus “Compromissos para renovar a vida”, um conjunto de 14 metas de longo prazo estabelecidas pela companhia. O objetivo da Suzano de remover 40 milhões de toneladas de carbono da atmosfera até 2030 foi antecipado para 2025.

A revisão é baseada na ampliação de cobertura vegetal neste período, por meio de plantios comerciais e de áreas destinadas à conservação, em locais antes degradados e antropizados. Ao absorverem carbono da atmosfera, as árvores cumprem um importante papel no combate à intensificação do efeito estufa. Com isso, a empresa reforça sua condição de ser ainda mais positiva para o clima a partir da remoção líquida de carbono da atmosfera em um ritmo mais acelerado do que aquele previsto anteriormente.

Além disso, a Suzano mantém iniciativas e frentes efetivas para reduzir as emissões em suas operações próprias e na cadeia (escopos 1, 2 e 3), e dará continuidade ao processo de aprimoramento de manejo florestal de forma a evitar perdas, maximizar a produtividade e ampliar a remoção de carbono.

A decisão da empresa é motivada pela convicção de que a agenda climática demanda ações imediatas. A Suzano também defende a criação de um mercado regulado de carbono, vinculado ao Acordo de Paris, cuja regulamentação está em pauta na COP26.

Metas do Acordo de Paris

Segundo o presidente da Suzano, Walter Schalka, o mercado regulado de carbono, com base no conceito de cap and trade, pode dar escala às ações necessárias e urgentes para que o aumento da temperatura média global não ultrapasse 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e se mantenha, preferencialmente, em 1,5ºC. A meta foi estabelecida em 2015, durante a COP21, que resultou no Acordo de Paris.

De acordo com estimativas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o mundo suporta um volume de emissões de até 500 gigatoneladas de CO2 nos próximos 10 anos para cumprir a meta de aumento médio da temperatura média global em torno de 1,5ºC. Por essa razão, Schalka defendeu a busca de metas mais ambiciosas do que a neutralidade de carbono até 2050, como vem sendo anunciado por empresas em todo o mundo.

“Não dá mais para nos comprometermos com metas para zerar as emissões líquidas até 2050 pela manhã e aumentarmos as emissões à tarde. E como podemos fazer isso? Temos que financiar de uma forma acelerada a descarbonização global com um mercado regulado de carbono. Na minha percepção, o crédito de carbono vai ter um valor crescente e isso vai permitir um investimento na descarbonização”, afirmou.

Modelo cap and trade

O modelo cap and trade, se baseia na negociação de créditos de carbono gerados a partir de iniciativas que resultam em redução de emissões. Nesse sistema, se uma empresa emite hoje 100, por exemplo, e seja estabelecido que precisará emitir apenas 80 a partir de uma determinada data, será possível negociar o que for possível alcançar abaixo desse limite. Com base nesse mesmo exemplo, se a empresa passar a emitir 75, ela poderia vender esses cinco no mercado de crédito de carbono. No caso contrário, se emitir 85, vai poder adquirir créditos de outra empresa, correspondentes ao excedente.

Segundo Schalka, esse sistema gera oportunidades de negócios e viabiliza desenvolvimento de iniciativas que resultem no desenvolvimento socioeconômicos das regiões envolvidas. Por essa razão, avalia, as negociações sobre o tema na COP26 são fundamentais.

“Temos uma oportunidade única de fazer isso com a regulamentação dos capítulos 6.2 e 6.4 do Acordo de Paris, que tratam do mercado de créditos de carbono, e tornarmos o Brasil e o mundo aderentes a esse acordo de carbono”, disse o presidente da Suzano, que mencionou ainda a regeneração de florestas como importante vertente no enfrentamento das mudanças climáticas.

2050 Agora

A declaração foi dada durante o encontro com jornalistas “COP26 em pauta: o que é notícia para o Brasil”. O evento faz parte das ações previstas na iniciativa “2050 Agora”, lançada pela Suzano para estimular o engajamento do setor empresarial com metas climáticas mais ambiciosas.

Segundo Schalka, outro tema decisivo para o êxito da COP26 é a padronização dos critérios utilizados nas Contribuições Nacionalmente Determinadas, conhecidas como NDCs, que representam as metas de redução de emissões de cada país signatário do Acordo de Paris.

O presidente da Suzano também considera urgente o cumprimento do compromisso assumido por países desenvolvidos durante a COP15, de destinarem US$ 100 bilhões anuais em financiamento climático para países em desenvolvimento em 2020. “O que é muito pouco, se levarmos em consideração que os investimentos feitos em todo o mundo para o enfrentamento da pandemia somaram US$ 17 trilhões”.

Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Receba nossa Newsletters