Empresários e setor público buscam convergência

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A presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, disse nesta quinta-feira (21) que a parceria entre o setor empresarial e o governo é fundamental para que o Brasil avance nas negociações da COP26. Marina Grossi foi uma das palestrantes do encontro “COP26 em pauta: o que é notícia”, realizado pela Suzano para jornalistas.

Segundo a presidente do CEBDS, os estados estão se mobilizando junto com o setor privado no sentido de buscarem convergência sobre os temas da agenda climática.

“Estamos em um momento muito efervescente nesse debate. Acompanho as COPs há mais de 20 anos e a COP26 será uma das mais importantes. A COP21, em 2015, representou uma grande mudança vitoriosa, porque foi possível encontrar uma forma na qual todos os países assumissem uma responsabilidade. Porém essa conta não fechou, e agora a imprensa do mundo inteiro não está mais interessada em uma intenção, mas no que está sendo feito.

Segundo Marina Grossi, os planos de países ou empresas relacionados a mudanças climáticas que não mostrarem o que será feito nos próximos dois anos deverão ser considerado green washing. Além disso, observou, é preciso ter no modelo de negócios o imperativo do ESG, que envolve boas práticas ambientais, sociais e de governança, que se intensificaram durante a pandemia.

Empresários pelo clima

O CEBDS lançou recentemente o posicionamento Empresários pelo Clima, que reúne CEOs de empresas associadas ao CEBDS. A iniciativa envolve propostas sobre diversos temas relacionados à agenda climática, como regulamentação do Artigo 6 do Acordo de Paris, neutralidade de emissões, rastreabilidade e ações de proteção de florestas. O objetivo é estimular mais ambição nas metas climáticas do Brasil, representadas no Acordo de Paris pela Contribuição Nacionalmente Determinada, conhecida como NDC.

“O Brasil tem uma posição extremamente singular nessa economia de baixo carbono, de forma que a Suzano e outras empresas perceberam isso, inclusive no setor de óleo e gás. A nossa matriz energética é muito mais limpa com nossas indústrias. Somos mais limpos do que os outros, o que nos coloca em vantagem nessa corrida”, avaliou Marina Grossi.

Por outro lado, observou a presidente do CEBDS, o Brasil sofre com o desmatamento ilegal, que prejudica as negociações a serem realizadas na COP26.

“O governo precisa ser parceiro em temas como terras públicas sem destinação e ações necessárias de comando e controle”, disse. “O desmatamento representa 48% das nossas emissões e 99% disso é ilegal. É o grande ruído que macula a nossa reputação lá fora”.

Desmatamento ilegal na Amazônia

No ano passado, CEOs de empresas associadas ao CEBDS e diversas organizações divulgaram o Comunicado do Setor Empresarial Brasileiro, destinado aos Três Poderes, no qual manifestam preocupação com a percepção internacional do Brasil em relação à Amazônia.

Segundo a presidente do CEBDS, o mercado regulado tem que ser feito com a colaboração do governo. Nesse sentido, a organização propôs um substitutivo ao projeto 528/21, que tramita na Câmara dos Deputados e trata da criação do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões (MBRE).

A iniciativa do CEBDS teve como finalidade incluir no texto uma transição do mercado voluntário para o compulsório. “Esse mercado precisa ser gradual, de forma que respeite a competitividade das indústrias brasileiras”, observou.

A presidente do CEBDS incluiu o Comunicado do Setor Empresarial Brasileiro como uma das principais iniciativas recentes em relação às mudanças climáticas, que incluem ainda o posicionamento dos bancos brasileiros. “Neste novo modelo de desenvolvimento vemos emergir a questão da justiça climática. O “S” do ESG é o mais difícil de ser mensurado. A justiça climática é o grande destaque na COP26”.

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