Análise: Contribuições da indústria na redução e na compensação de emissões

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A descarbonização da economia é um dos passos fundamentais para que o mundo consiga cumprir as metas previstas no Acordo de Paris, assinado por 195 países para redução das emissões de gases de efeito estufa. O objetivo é conter o aquecimento médio global abaixo de 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, preferencialmente no patamar mais ambicioso de 1,5ºC.

Para conter as emissões do Brasil serão necessárias soluções disruptivas. Por questões de sustentabilidade do planeta, assim como dos negócios de forma geral, o setor industrial deve exercer protagonismo na busca dessas soluções. Empresas do setor de papel e celulose, por exemplo, pela própria natureza de suas atividades, têm uma grande relevância nesse cenário e podem facilitar a mitigação dos efeitos causados pelas mudanças climáticas. As bases florestais podem contribuir diretamente para a conservação da biodiversidade, regulação dos ciclos hidrológicos e remoção de gás carbônico da atmosfera.

De acordo com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o setor industrial, responsável por 5% de todas as emissões, tem condições para atrair o interesse de investidores (as) estrangeiros (as) nesses projetos. São necessários, portanto, recursos na forma de ‘exportação’ de créditos ou atração de financiamento climático, para mover as políticas ambientais brasileiras e preservar a Floresta Amazônica.

Essa transição para uma economia neutra em carbono pode abrir novas oportunidades econômicas e ajudar a gerar empregos. Pelas atuais estimativas de um estudo publicado pela McKinsey, a mudança criaria uma oportunidade de ganho direto de US$ 26 trilhões, e 65 milhões de novos empregos até 2030. Hoje, há discussões setoriais para criação de mercados nacionais organizados e outras soluções de descarbonização. No entanto, falta um plano unificado sobre a questão.

A COP26 traz expectativas de negociações definitivas do Artigo 6 para chegar a um acordo sobre o papel dos países ricos no comércio global de créditos de carbono. Com base no mais recente relatório do IPCC, os (as) cientistas (as) afirmam que as metas de emissões globais atuais são inadequadas e que estratégias de emissões negativas são necessárias.

O Brasil demonstra grande potencial para desenvolver um papel fundamental nessa transição para o mercado de baixo carbono, em razão de suas florestas, mas necessita de políticas ambientais efetivas e do mercado de carbono regulado.

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